2ª Reunião – Quem é Deus?

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2ª Reunião – Quem é Deus?

18/03        2ª Reunião – Quem é Deus?

1.  Quem é Deus para nós

Para nós é humanamente impossível dizer quem é Deus. Somos humanos e Deus é espírito, não se vê. Somente uma pessoa sabe perfeitamente quem é Deus. Essa pessoa chama-se Jesus, que veio ao mundo para ensinar aos homens o mistério de Deus.

2.  O homem e o conhecimento de Deus

A antropologia mostra que não há nem houve qualquer civilização que não cultue a um deus. Isto porque o homem é por vocação um ser religioso, porque provém de Deus e para Ele caminha. Ele está sempre à procura de Deus e tentando entrar em contato com Ele.

O Catecismo da Igreja Católica ensina que Deus, único e verdadeiro, nosso criador e Senhor, pode ser conhecido com certeza através de suas obras graças à luz natural da razão humana. Podemos realmente falar de Deus partindo das múltiplas perfeições das criaturas, semelhanças de Deus infinitamente perfeito, ainda que nossa linguagem não esgote o seu mistério. Nosso conhecimento de Deus é limitado. A grandeza e a beleza das criaturas e do mundo fazem por analogia contemplar o seu autor. Deus transcende a tudo que é limitado. Deus é indescritível, incompreensível, invisível, intangível com as nossas representações humanas.

O projeto de revelação de Deus realiza-se por ações e palavras que se iluminam mutuamente. Assim, Deus se comunica gradualmente ao homem, prepara-o por etapas a acolher a revelação sobrenatural e que vai culminar na pessoa e na missão de Jesus Cristo.  O lugar de Cristo na fé cristã é central, ele não esteve entre nós para falar de si próprio, mas de Deus.

3.  A fé trinitária

Deus para nós, cristãos, se revela na Santíssima Trindade. O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. Com Jesus de Nazaré aprendemos que Deus é Pai, que tem seu Filho muito amado (Jesus) e uma terceira pessoa divina: o Espírito Santo. Nosso Deus é um só em três pessoas, é a Trindade Santa ou a Santíssima Trindade. Não são três deuses, mas uma comunhão de pessoas. É um grande mistério, de difícil compreensão, mas acolhido no amor. Nosso Deus é uma Trindade: o Pai, criador; o Filho, nosso salvador; e o Espírito Santo, o amor que nos santifica.

 4.  Jesus diz quem é Deus pelas suas palavras

Jesus muitas vezes falou de Deus. Falou por palavras, respondendo às perguntas que lhe faziam e explicava os atributos de Deus.

Um dos atributos é o de ser todo-poderoso, ser um Deus forte, para quem nada é impossível, imortal. Entretanto, a paternidade e o poder de Deus iluminam- decorrem de sua ternura e manifesta sua onipotência, indo ao encontro dos seus filhos, revelando sua presença. Seu poder se manifesta sobretudo na misericórdia.

O evangelho de São Lucas tem um capítulo maravilhoso, onde Jesus mostra bem o rosto de Deus, descrito nos traços dum pai que tinha dois filhos (cf. Lc 15,11-32).

Quando um dia o filho mais novo regressou a casa, depois de desperdiçar toda a sua herança com coisas mundanas, o pai não se lembrou das tristezas que ele lhe dera, mas apenas viu diante de si um filho que regressava desiludido da vida, a morrer de fome e também com saudades do pai. Assim faz Deus conosco quando nós tomamos a resolução do filho mais novo.

Entretanto, Jesus não deixa de colocar na parábola a reação do filho mais velho, trabalhador fiel e esforçado, mas sem compaixão para aquele que regressara, ao qual já nem sequer chama irmão. Deus não faz isso a ninguém.

Não é raro ouvirmos que Deus castiga os maus e recompensa os bons. Quem assim fala está a tomar o filho mais velho como modelo de Deus. Ora, não é isso que a parábola nos quer ensinar sobre Deus. O coração daquele pai que é o modelo do coração de Deus.

Jesus nos revela que Deus é o único Senhor (cf. Mc 12,28-30). À pergunta do escriba de qual é o primeiro dos mandamentos, Jesus responde que a primeira coisa que Deus manda ao homem é que acredite em Deus como único Senhor.

Acreditar que Deus é o único Senhor, é acreditar que não há nada nem ninguém mais importante do que Deus. É acreditar que Deus está acima de tudo.

Quem acredita assim, dá sempre o primeiro lugar a Deus. Os homens, as suas vidas e os seus problemas também são importantes. Por isso, um discípulo de Cristo não troca Deus por nada e quando, na sua vida, entram em conflito os critérios de Deus e os critérios dos homens, o cristão já fez antecipadamente a sua escolha. Ele coloca-se sempre do lado de Deus.

Quem nos faz acreditar e agir deste modo é a fé, que é um dom de Deus, uma força espiritual interior e uma luz divina que nos ajuda a ver o que é invisível para os olhos do corpo. A fé é necessária para a salvação (cf. Mc 16,16).

Jesus nos diz onde está Deus. Jesus falou muitas vezes da presença de Deus entre os homens. Trata-se duma presença verdadeira, mas escondida.

Quando Jesus fala sobre o “Reino de Deus está entre vós”, significa que “Deus” está conosco. O que Jesus quer dizer é que Deus não se vê com os olhos, nem se ouve com os ouvidos. Deus está perto, não se impõe a ninguém, é muito discreto, não viola a nossa liberdade. É preciso procurá-lo para o encontrar. Ele realmente está: no silêncio, na simplicidade, na humanidade, na verdade, no serviço aos outros, na disponibilidade. Muitos passam o tempo a adorar ídolos. Jesus mostra isso muito bem na parábola do fariseu e do cobrador de impostos (cf. Lc 18,9-14).

5. Jesus diz quem é Deus pela sua vida

Jesus não é apenas um profeta que transmite fielmente aos discípulos uma mensagem de Deus no silêncio da oração. Ele é a presença de Deus em suas ações, Ele é o amor de Deus a manifestar-se em prol dos pobres, humildes e marginalizados.

Para descobrir quem é Deus, os cristãos aprenderam que tinham de olhar principalmente para Jesus e para sua vida, reparando nas suas atitudes para com os mais desprezados (cf. Lc 7,36-50). Não foi por acaso que Ele disse aos seus Apóstolos: “quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9).

6. Como ser discípulo de Jesus

Olhando os gestos e as palavras de Jesus, vemos o quanto ele é a revelação do amor de Deus para conosco. Em Jesus vemos uma presença amorosa que devolveu a alegria de viver para quem estava abatido e cansado do peso da vida. Ele curou os feridos, saciou os famintos de justiça, consolou os aflitos, enfim abriu novo sentido de vida para todos.

Sua vida aponta o caminho da doação, do perdão e da reconciliação como único para a transformação da história humana, e da vida de cada um de nós.

Caminhar com Jesus, aquele de quem já ouviram falar e em quem muitos de nós confiam, transforma a misteriosa razão da história humana e do nosso destino. Jesus Cristo é a nossa pregação.

Quantas vezes caminhamos desanimados? Jesus mostrou como perceber a presença e os sinais de Deus ao longo da vida. É preciso perceber o quanto Jesus está no meio de nós e deixar que ele nos ajude, seguindo seus passos, caminhado com ele em nossas vidas. Geralmente os olhos humanos se fecham quando a realidade não é a sonhada e desejada. Caminhar com Jesus é acolher a Palavra de Deus em nossas vidas, que consta na Sagrada Escritura. Não podemos separar a Palavra de Deus da nossa experiência, viver uma religião desligada da vida. É preciso integrá-las.

 

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