9ª Reunião – Jesus Cristo ressuscitou e está no meio de nós

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9ª Reunião – Jesus Cristo ressuscitou e está no meio de nós

9ª Reunião – Jesus Cristo ressuscitou e está no meio de nós

a.  Os Evangelhos nunca separam morte e Ressurreição de Jesus

Conforme o testemunho de todos os Evangelhos, algo aconteceu depois da morte de Jesus, a sua ressurreição (cf. At 2,36; 1Cor 15,14-15). Só a partir da ressurreição se pode falar de uma fé explícita em Jesus Cristo. Mediante a ressurreição, Deus confirma o valor da vida, das atitudes, da mensagem e da morte de Jesus.

O caminho de Jesus chegou ao desfecho de sua morte. Sua pretensão de vida pareceu fracassar por completo, mas graças à ressurreição, sua vida foi aceita e confirmada por Deus. Toda dúvida que poderia existir à respeito do sentido de sua vida e de sua morte foi superada.

A ressurreição nos mostra a cruz como caminho para a vida. A morte e ressurreição de Jesus, sempre unidas, são dois momentos inseparáveis da realidade única que é o mistério pascal. São também dois momentos inseparáveis da vivência cristã: o cristão é chamado a viver atuando no mundo, alimentados pela esperança, com a firme convicção de uma nova vida em Deus e libertos do pecado.

b.  Deus ressuscitou Jesus

A ressurreição de Jesus é um acontecimento revelador de Deus. Nesse acontecimento a vida de Jesus, a solidariedade e o julgamento de Deus aparece em toda a sua plenitude em favor dos homens. Jesus “foi entregue por nossos pecados e ressuscitou para a nossa salvação” (Rm 4,25). É um acontecimento que transformou a situação negativa em que Jesus se encontrava.

Na cruz de Jesus, Deus revela-se solidário com o sofrimento. Na ressurreição, revela-se o poder de Deus sobre a morte e o sentido global do seu julgamento: um julgamento de justiça em favor do homem. A partir dessa revelação, dessa inversão de perspectiva, o homem se reconhece acompanhado e justificado por Deus.

A ressurreição de Cristo é objeto de fé enquanto intervenção transcendente do próprio Deus na criação e na história. A ressurreição aconteceu pelo poder do Pai, que ressuscitou Cristo, seu Filho, e dessa forma o introduziu na Trindade. Jesus é revelado “Filho de Deus com poder por sua ressurreição dos mortos segundo o Espírito de santidade” (Rm 1,4).

c.  O túmulo vazio e as aparições de Jesus são a prova da sua Ressurreição

No quadro dos acontecimentos da Páscoa, o primeiro elemento que aparece é o túmulo vazio. Foi o primeiro passo para o reconhecimento da ressurreição. O túmulo vazio é suscetível de várias interpretações e, entre elas, o sinal de que Jesus ressuscitou (cf. Lc 24,22-25), constituiu a base histórica e simbólica na qual se apoia o anúncio da ressurreição.

Entretanto, a origem e o fundamento da fé na ressurreição encontram-se nas aparições de Jesus ressuscitado. As aparições do Ressuscitado constituem a revelação de que aquele Jesus morto está agora plenamente vivo. É uma experiência de fé que nos leva à mensagem essencial nos Evangelhos: a morte foi absorvida na vitória (cf. 1Cor 15,54).

Os evangelistas nos falam das aparições para que possamos crer. O Novo Testamento apresenta a ressurreição de Jesus mediante confissões de fé dos discípulos. Inicialmente notícias de aparições de Jesus e relatos sobre o Ressuscitado que diferem entre si em certos detalhes, mas que coincidem na apresentação das testemunhas. O importante para nós é que todos os relatos sobre a ressurreição de Jesus têm como objetivo afirmar a ressurreição e sua realidade corpórea (cf. Lc 24, 37-39).

Ao ressaltarem que Jesus conversa com os apóstolos, come, mostra suas chagas, os relatos querem demonstrar que o mesmo Jesus que foi crucificado é o mesmo que ressuscitou (cf. Jo 20,24-29). A fé da primeira comunidade dos crentes tem por fundamento o testemunho de homens conhecidos dos cristãos, vivendo ainda entre eles. Pedro e os outros apóstolos são testemunhas da ressurreição de Cristo, como também Paulo que fala de mais de quinhentas pessoas às quais Jesus apareceu de uma só vez (cf. 1Cor 15,4-8).

Uma segunda razão para que os evangelistas falem tanto das aparições do Ressuscitados é de quererem ajudar os seus futuros leitores, que hoje somos nós, a fazerem a mesma experiência que os Apóstolos fizeram. Hoje, amanhã e em cada dia, Jesus continua a aparecer, a falar, a reunir, a despertar e a enviar em missão todo aquele que abre a vida a sua Boa Nova.

d.  Crer é fazer uma experiência pessoal com Jesus – alguém pode relatar algum fato?

As narrativas evangélicas da ressurreição procuram ressaltar o caráter corpóreo das aparições. Elas produzem um efeito de choque, de encontro, e do acontecimento imprevisível pelo aparecer e desaparecer de Jesus. Este é o modo de sua revelação, para poder se compreender o que ele se tornou depois de sua morte, para compreender sua ressurreição como exaltação à direita do Pai.

Essa revelação com esse caráter corpóreo se relaciona antes de tudo com a antiga e histórica identidade de Jesus de Nazaré e mais ainda sua identidade nova de Senhor e Filho de Deus. Se a primeira identidade, antes de sua morte, era reconhecida pela memória, a segunda, a das aparições, só pode ser revelada e recebida na fé: “Porque me viste, creste; felizes os que creram sem ver” (Jo 20,29).

Os Evangelhos não têm a intenção de fornecer provas e evidências que nos dispense de um ato de fé, mas através do testemunho apostólico nos dá o conhecimento de que crer é fazer uma experiência pessoal com Jesus, como tiveram os apóstolos, os primeiros a crer.

e.  As dúvidas da fé – a fé é um caminho em etapas

Aquele que experimenta viver na gratuidade do amor, e que assim entra em um processo de existência “segundo o Espírito”, realiza a experiência de ser gratificado pela verdadeira vida.  Acreditar em Cristo ressuscitado não é uma evidência, porque esta ação de Deus vai contra o curso normal das coisas. De Jesus e da sua Ressurreição ninguém se convence a si mesmo. Todos têm de se deixar convencer; todos somos convidados a acreditar na Palavra de Deus.

Ao se dispor a descobrir o que aconteceu a Jesus, pela revelação de Deus, o fiel percebe que a fé é um caminho em etapas, diferentes para cada um: de envio em missão pelo mundo e de caminho que conduz ao Pai.

Deus não nos obriga a reconhecê-Lo a não ser por seu amor gratuito quando se doa. Seus dons são tão gratuitos que chegam silenciosamente como o dom da vida sempre restituída, ou de uma palavra sempre pronunciada. Jesus Cristo realiza o desígnio salvífico de Deus Pai. A verdade da fé cristã é Jesus Cristo e somos chamados a aprofundar a experiência do encontro com ele, um dinamismo que nunca termina em nossa vida.

f.  Os milagres de Jesus mostram o caminho para o sacramento da Unção dos Enfermos

Ao contemplar a experiência dos discípulos de Emaús, observamos sua tristeza e frustração, pois tudo aquilo em que tinham depositado a esperança parecia ter sido sepultado com Jesus. Em meio a tudo isso, o Senhor Ressuscitado se manifesta junto a eles, ouvindo, acolhendo, ensinando, abrindo as mentes e os corações. Ao final da caminhada, no partilhar do pão, os discípulos começam a entender que o Senhor está vivo e os acompanha em meio às vicissitudes (cf. Lc 24,13-35).

Os milagres de Jesus devem ser entendidos nesse mesmo contexto: sinais da presença viva de Jesus entre nós. Toda a atividade de Jesus se resumiu a fazer o bem, perdoar os pecados, superar os preconceitos e tudo isso expressa-se de modo mais intuitivo na cura dos doentes.

Esta breve caraterização dos milagres de Jesus mostra-nos o caminho para o sacramento dos enfermos: pela sagrada unção e pela oração dos presbíteros, a Igreja toda entrega os doentes aos cuidados do Senhor, para que os alivie e os salve. “Estive doente e me visitastes” (Mt 25,36).

O amor e a predileção de Jesus pelos enfermos não cessaram, ao longo dos séculos, de despertar a atenção dos cristãos para com todos que sofrem no corpo e na alma.

g.  Os efeitos deste sacramento

O principal dom deste sacramento é uma graça de reconforto, de paz e de coragem para vencer as dificuldades próprias do estado de enfermidade grave ou da fragilidade da velhice. Esta graça é um dom do Espírito Santo que renova a confiança e a fé em Deus e fortalece contra as tentações do maligno, tentação de desânimo e de angústia diante da morte.

Se tiver cometido pecados, estes lhes serão perdoados (cf. Tg 5,14-15). Portanto, a unção dos enfermos tem como efeitos: a união do doente com a paixão de Cristo, para o seu bem e o bem de toda a Igreja; o reconforto, a paz e a coragem para suportar cristãmente os sofrimentos da doença e da velhice; o perdão dos pecados; o restabelecimento da saúde, se convier à salvação espiritual; e a preparação para a passagem à vida eterna.

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