A liturgia eucarística – 8ª parte

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A liturgia eucarística – 8ª parte

8º. Todas as Orações eucarísticas começam por um diálogo preliminar. O presidente, através desse diálogo introdutório, convoca os fiéis a uma participação atenta. A saudação ritual de augúrio “O Senhor esteja convosco”, quer nos dispor para esse momento solene e decisivo. A exortação “Corações ao alto” pretende nos elevar ao nível da ação simbólico-sacramental compreensível somente à luz da fé. A nossa resposta diante do que estamos celebrando é “O nosso coração está em Deus”. O convite “Demos graças ao Senhor, nosso Deus”, nos induz a estar em clima de ação de graças durante toda a Oração. Por fim, reconhecemos que “É nosso dever e nossa salvação” participar assim.

A esse diálogo segue um belo cântico de ação de graças, denominado “Prefácio”. É uma introdução geral e específica, de acordo com o tempo litúrgico e a festa, à Oração Eucarística. Ele não é uma dissertação que se diz antes da Prece eucarística, mas sim uma ação de graças que se proclama diante da comunidade.

Toda assembleia responde à proclamação (recitação) do Prefácio, associando-se à aclamação dirigida ao Senhor três vezes Santo:

“Santo,Santo, Santo.
Senhor, Deus do universo!
O céu e a terra proclamam a vossa glória.
Hosana nas alturas!
Bendito o que vem em nome do Senhor!
Hosana nas alturas!”

As duas primeiras aclamações são tiradas do relato da visão do profeta Isaías que, arrebatado em êxtases, ouve cantar: “Santo, Santo, Santo é o Senhor, o Deus dos exércitos, a terra inteira está repleta de sua glória” (Is 6,3)

“Hosana” é a transcrição do hebraico “Hosiah-na” e significa literalmente “Dá a Salvação”. O vocábulo vem do salmo 118,25: “Dá, Senhor, tua salvação! Dá, Senhor, tua vitória!”. “Nas alturas” é a exclamação perante a infinita grandeza de Deus.

“Bendito o que vem em nome do Senhor” é tirado também do salmo 118,26. Trata-se de uma bênção pronunciada sobre o peregrino que entrava no templo. Quando Jesus faz a sua entrada solene em Jerusalém, a multidão dos discípulos, pegando em ramos, à imitação do que diz o salmo 118,27, festeja-o e aclama-o: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!” (Mt 21,9).

O clima bíblico do nosso “Santo” é de uma celebração gloriosa. É este ambiente de louvor festivo a Deus que ele deve evocar. Um “Santo” sussurrado ou cantado sem entusiasmo, é qualquer coisa que não condiz com o texto e contexto.

Segundo o Apocalipse (4,8) o “Santo” é a aclamação da liturgia celeste: “Dia e noite não cessam de repetir: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus do universo, Aquele que era, que é e que há de vir”. É para esse louvor eterno que cada Eucaristia da terra nos faz caminhar.

Após a aclamação “Santo”, o presidente exclama: “Na verdade, ó Pai, vós sois Santo e fonte de toda santidade” (Or.euc.II). Esta oração liga o “Santo” à invocação do Espírito Santo sobre os dons: “a fim de que se tornem para nós o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso” (Or.Euc.II).

O relato da Instituição situa-se no centro da Oração eucarística:

“Estando para ser entregue e abraçando livremente a paixão,
ele tomou o pão, deu graças, e o partiu e deu a seus discípulos dizendo:
TOMAI, TODOS, E COMEI:
ISTO É O MEU CORPO,
QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.

Do mesmo modo, ao fim da ceia, ele tomou o cálice em suas mãos,
Deu graças novamente, e o deu a seus discípulos, dizendo:
TOMAI, TODOS, E BEBEI:
ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE,
O SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA,
QUE SERÁ DERRAMADO POR VÓS E POR TODOS
PARA REMISSÃO DOS PECADOS.
FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.” (Or. Euc. II).

Depois da narração da Ceia do Senhor, a exclamação: “Eis o Mistério da fé!” provoca a aclamação do memorial que se exprime por uma das três fórmulas já bem conhecidas:

“Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”

“Todas as vezes que comemos deste pão e bebemos deste cálice, anunciamos, Senhor, a vossa morte enquanto esperamos a vossa vinda!”

“Salvador do mundo, salvai-nos, vós que nos libertastes pela cruz e ressurreição!”.

Poder-se-ia estabelecer o uso da 2ª. fórmula para o Advento-tempo do Natal e a 3ª.fórmula para a Quaresma-tempo da Páscoa. É oportuno que aos domingos seja cantada.

O presidente conclui o “memorial” do sacrifício com uma oração de oferecimento e ação de graças:

“Celebrando, pois, a memória da morte e ressurreição do vosso Filho,
nós vos oferecemos, ó Pai, o pão da vida e o cálice da salvação;
e vos agradecemos porque nos tornastes dignos
de estar aqui na vossa presença e vos servir” (Or. Euc. II).

O memorial, a anamnese, é a oração do Espírito Santo em nós. Jesus dissera: “O Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito” (Jo 14,26). O Espírito Santo é a memória da Igreja. Lembra-nos continuamente a Páscoa do Senhor, isto é, o mistério da sua morte e ressurreição. O Espírito Santo abre-nos também a porta sobre o futuro da Igreja: “Ele vos anunciará o que há de vir”. (Jo 16,13), quer dizer, a vinda gloriosa de Jesus no fim dos tempos. O memorial é, portanto, o cântico do Espírito Santo no coração da Igreja.

Segue a epiclese de comunhão, tal como aquela sobre os dons do pão e do vinho. É a invocação do Espírito Santo sobre a assembleia, para que esta participe nos frutos da Eucaristia. Pedem-se especialmente, para ela, duas graças: que seja reunida num só corpo e que se converta numa oferenda permanente para a glória do Pai:

“Olhai com bondade a oferenda da vossa Igreja,
reconhecei o sacrifício que nos reconcilia convosco
e concedei que, alimentando-nos com o Corpo e o Sangue do vosso Filho,
sejamos repletos do Espírito Santo
e nos tornemos em Cristo um só corpo e um só espírito” (Or. Euc. III).

Ao celebrar o Memorial do Sacrifício Pascal, a Igreja suplica a intercessão – “Lembrai-vos, Senhor” – por todos os membros da Igreja que exercem um cargo no povo de Deus; pelos falecidos que nos precederam na fé, para que vivam junto de Deus; pelos participantes da celebração, para que ela se reúna com a Virgem Maria e todos os santos do céu, num único louvor.

“Lembrai-vos, ó Pai, da vossa Igreja que se faz presente pelo mundo inteiro:
que ela cresça na caridade com o papa N., com o nosso bispo N.
e todos os ministros do vosso povo” (Or. Euc. II).

“Lembrai-vos também dos nossos irmãos e irmãs
que morreram na esperança da ressurreição
e de todos os que partiram desta vida:
acolhei-os junto a vós na luz da vossa face” (Or. Euc. II).

“Enfim, nós vos pedimos, tende piedade de todos nós
dai-nos participar da vida eterna, com a Virgem Maria, mãe de Deus,
com os santos Apóstolos e todos os que neste mundo vos serviram,
a fim de vos louvarmos e glorificarmos por Jesus Cristo, vosso Filho” (Or. Euc. II).

O “Amém” final, com o qual a assembleia exprime o seu assentimento à ação realizada pelo presidente e à qual ela se associa, tem particular importância. Torna-se assim um solene consenso à ação sacramental-sacrifical que se cumpriu, na expectativa daquela participação pessoal que ocorrerá com a comunhão sacramental. Este “Amém” é a grande resposta de adesão, de toda a assembleia, à Oração Eucarística e deveria ser cantado frequentemente aos domingos.


Os modos de participação exterior na Oração eucarística.


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